junho de 2021

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888-1935) foi um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português. Respeitado em Lisboa como intelectual e como poeta, em vida, publicou regularmente o seu trabalho em revistas, algumas das quais ajudou a fundar e a dirigir, mas o seu génio literário só foi plenamente reconhecido após a morte.

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu a 13 de junho de 1888, em Lisboa, e aí morreu em novembro de 1935. Poucas vezes deixou a cidade e os seus arredores em adulto, mas passou nove anos da sua infância em Durban, na colónia britânica da África do Sul, onde o padrasto era o cônsul português. Pessoa, que tinha cinco anos quando o seu pai morreu de tuberculose, tornou-se um rapaz tímido e cheio de imaginação e um estudante brilhante. Pouco depois de completar 17 anos, voltou a Lisboa para entrar no Curso Superior de Letras, que abandonou depois de dois anos sem ter feito um único exame. Preferiu estudar por sua própria conta na Biblioteca Nacional, onde leu livros de filosofia, de religião, de sociologia e de literatura (portuguesa em particular) a fim de completar e expandir a educação tradicional inglesa que recebera na África do Sul. A sua produção de poesia e de prosa em inglês foi intensa durante este período e, por volta de 1910, já escrevia também muito em português. Publicou o seu primeiro ensaio de crítica literária em 1912, o primeiro texto de prosa criativa (um trecho do Livro do Desassossego) em 1913, e os primeiros poemas de adulto em 1914.

Vivendo por vezes com parentes, outras vezes em quartos alugados, Pessoa ganhava a vida fazendo traduções ocasionais e redigindo cartas em inglês e francês para firmas portuguesas com negócios no estrangeiro. Embora solitário por natureza, com uma vida social limitada e quase sem vida amorosa, foi um líder ativo da corrente Modernista em Portugal, na década de 1910 (…). Manteve-se afastado das luzes da ribalta, exercendo a sua influência, todavia, através da escrita e das tertúlias com algumas das mais notáveis figuras literárias portuguesas.

No entanto, Pessoa estava convicto do próprio génio e vivia em função da sua escrita. Embora não tivesse pressa em publicar, tinha planos grandiosos para edições da sua obra completa em português e inglês e, ao que parece, guardou a quase totalidade daquilo que escreveu.

Em 1920, a mãe de Pessoa, após a morte do segundo marido, deixou a África do Sul e regressou a Lisboa. Pessoa alugou um andar para a família –  ele, a mãe, a meia irmã e os dois meios irmãos – na Rua Coelho da Rocha, n.º 16, naquela que é hoje a Casa Fernando Pessoa. Foi aí que passou os últimos quinze anos da sua vida – convivendo muito com a mãe, que morreu em 1925, e com a meia irmã, o cunhado e os dois filhos do casal (os meios irmãos de Pessoa emigraram para a Inglaterra), embora também passasse longas temporadas sozinho em casa. Familiares de Pessoa descreveram-no como afetuoso e bem humorado, mas muito reservado. Ninguém fazia ideia de quão imenso e variado era o universo literário acumulado na grande arca onde ia guardando os seus escritos ao longo dos anos.

O conteúdo dessa arca – que hoje constitui o Espólio de Pessoa na Biblioteca Nacional de Lisboa – compreende mais de 25 mil folhas com poesia, peças de teatro, contos, filosofia, crítica literária, traduções, teoria linguística, textos políticos, cartas astrológicas e outros textos sortidos, tanto datilografados como escritos ou rabiscados ilegivelmente à mão, em português, inglês e francês. Pessoa escrevia em cadernos de notas, em folhas soltas, no verso de cartas, em anúncios e panfletos, no papel timbrado das firmas para as quais trabalhava e dos cafés que frequentava, em sobrescritos, em sobras de papel e nas margens dos seus textos antigos. Para aumentar a confusão, escreveu sob dezenas de nomes, uma prática – ou compulsão – que começou na infância. Chamou heterónimos aos mais importantes «outros eus», dotando-os de biografias, características físicas, personalidades, visões políticas, atitudes religiosas e atividades literárias próprias. Além da obra em nome próprio (ortónimo), algumas das mais memoráveis publicações de Pessoa escritas em português foram por ele atribuídas aos três principais heterónimos poéticos – Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos – e ao «semi-heterónimo» Bernardo Soares (…).

Hoje, o seu vasto mundo literário ainda não está completamente inventariado pelos estudiosos e uma importante parte das suas obras em prosa continua à espera de ser publicada.


Obras publicadas em vida

  • 35 Sonnets
  • Antinous
  • Inscriptions
  • Mensagem, 1934

Obras póstumas

  • Poesias de Fernando Pessoa, 1942
  • Poesias de Álvaro de Campos, 1944
  • A Nova Poesia Portuguesa, 1944
  • Poesias de Alberto Caeiro, 1946
  • Odes de Ricardo Reis, 1946
  • Poemas Dramáticos, 1952
  • Poesias Inéditas I e II, 1955 e 1956
  • Textos Filosóficos, 2 v, 1968
  • Novas Poesias Inéditas, 1973
  • Poemas Ingleses Publicados por Fernando Pessoa, 1974
  • Cartas de Amor de Fernando Pessoa, 1978
  • Sobre Portugal, 1979
  • Textos de Crítica e de Intervenção, 1980
  • Carta de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões, 1982
  • Cartas de Fernando Pessoa a Armando Cortes Rodrigues, 1985
  • Obra Poética de Fernando Pessoa, 1986
  • O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, 1986
  • Primeiro Fausto, 1986

Fontes: https://www.casafernandopessoa.pt/pt/cfp   | https://www.ebiografia.com/fernando_pessoa/